
"O Elvas" foi sempre a equipa que quis vencer a partida, mas pela frente teve um adversário que defendeu muito e bem, que conta com jogadores muito experientes e de grande constituição física, que anularam quase todas as tentativas que a nossa equipa criou. No jogo do tudo ou nada, os comandados de Jorge Almeida trabalharam muito, lutaram até à exaustão, mas faltou qualidade para definir as oportunidades de perigo criadas.
Aos 16 minutos o lance que definiu o jogo para os visitantes, com o indiscutível penalty de Cristo a Maside, convertido por Moreira. A equipa do Crato manifestou o seu desagrado com a decisão do árbitro António Matias, ao não expulsar o guardião azul-e-ouro, considerando que o avançado cratense estaria em iminente situação de fazer golo. Houve erro do árbitro nesta decisão, pois Cristo deveria ter visto o vermelho, mas antes "O Elvas" pediu grande penalidade por mão na bola de um defensor do Crato, naquela que foi a primeira manifestação de desagrado dos presentes no Campo Patalino.
Se desde o início "O Elvas" pressionou o extremo reduto cratense, a partir do 0-1 foi mais evidente com o recuo dos visitantes no terreno de jogo. Sabedores que contam com uma equipa experiente, o "autocarro" à frente da baliza foi em muitas ocasiões tão evidente que era quase impossível furar a barreira defensiva do Crato. Só nos livres batidos pelo brasileiro Glaedson é que os azuis-e-ouro conseguiram criar perigo, mas o guarda-redes Teixeira esteve em bom plano. Jorge Almeida fez a primeira substituição ainda na etapa inicial, com a entrada de Ruben pelo defesa Teodor, que estava a sentir dificuldades em controlar a velocidade dos avançados rivais.
Na segunda parte mais do mesmo, ou seja a equipa de Jorge Almeida a ser quem manifestava vontade em chegar ao golo e o Crato a defender a vantagem que no final se mostrou definitiva. Aos 60 minutos Glaedson tem um portentoso remate de pé esquerdo à barra da baliza de um Teixeira que nada tinha a fazer pois era indefensável. Seria um golão e poderia dar a volta aos acontecimentos, mas infelizmente a bola não entrou. Ainda "carregou" mais "O Elvas", e Jorge Almeida fez o possível com as alternativas que dispunha no banco. Fez sair Zé Rego para a entrada de Nélinho, numa troca de avançados, e o tudo por tudo com a saída de um defesa, Fernando Roque, para a entrada do jovem Carlos Xavier para o lado esquerdo.
O jogo apenas tinha um sentido, a baliza do Crato, e o pontapé para a frente dos visitantes para tentar a sorte com a rapidez dos seus avançados foi sendo cada vez mais evidente.
Aos 84 minutos o canto do cisne, ou seja o adeus d'"O Elvas" à subida. Bola para o recém entrado Santana Maia que à entrada da área e inexplicavelmente sem marcação, desferiu um remate para o fundo das redes sem hipóteses para Cristo. Até ao fim a luta constante dos nossos jogadores é de louvar pois foram inexcedíveis, mas a sorte estava traçada. O golo de Lourinho pouco antes do fim da partida, no único erro de marcação da defesa do Crato na sua área, apenas atenuou a desvantagem pois o desfecho estava definido.
A equipa de arbitragem cometeu inúmeros erros de apreciação e as duas equipas têm razão de queixa. Um penalty por assinalar ao Colosso, o não ter mostrado o vermelho a Cristo na grande penalidade que deu o 0-1 para o Crato, e o erro mais grosseiro foi na segunda parte, ao assinalar um livre directo por uma falta sobre Nelinho, quando o lance aconteceu 2 metros dentro da área. Aqui a responsabilidade vai inteiramente para o árbitro auxiliar, que claramente viu o lance e não quis alterar a decisão de António Matias. Se no aspecto técnico o árbitro esteve mal, no disciplinar foi pior, permitindo desde o quarto de hora inicial o constante "queimar" tempo dos jogadores visitantes. Por vezes foi gritante a sua falta de comando no jogo, exasperando todos os que estávamos no Campo Patalino, pois os jogadores do Crato faziam o que queriam não sendo devidamente punidos.
Resultado injunto pelo que fez "O Elvas" e que premeia sem dúvida a coesão defensiva do Crato. Apesar de este ter sido o jogo do tudo ou nada, "O Elvas" não vai conseguir a subida pelo que fez de mau na primeira volta desta segunda fase, com inexplicáveis derrotas caseiras que sem dúvida condicionaram todas as possibilidades azuis-e-ouro.
Jorge Almeida em declarações à Rádio Elvas, pediu desculpas aos adeptos por não ter conseguido a vitória que todos desejavam. A Tribo Azul e Ouro responde ao técnico dizendo que não tem de pedir desculpas, foi com o Jorge Almeida que o sonho foi possível pelas seis vitórias consecutivas. Mas não se podem fazer omeletes sem ovos, e apesar da enorme capacidade de luta há falta de qualidade no curto plantel d'"O Elvas" para enfrentar adversários de maior calibre como é o Crato.
Devem os dirigentes do nosso clube junto com a equipa técnica começar já a preparar a próxima temporada, recrutando jogadores da nossa região com qualidade para potenciar o plantel e pensar, a sério, em lutar pelo título distrital e consequente regresso à 3ª divisão.
Tentamos mas não foi possível. ACABOU-SE! Para o ano há mais... Distrital!
(foto site Tudoben.com / Carlos Falcato)